Acidentes Aereos Manaus

 

Manaus é a capital do Norte com maior número de acidentes aéreos
De acordo com dados do Ceripa, mais de 100 acidentes aéreos ocorreram em Manaus, nos últimos dez anos. Último acidente aconteceu no dia 22 de maio

  

Manaus – Manaus é a capital do Norte com maior número de acidentes aéreos, nos últimos 10 anos, e a quarta do País, segundo dados do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Rio de Janeiro, Goiânia e São Paulo estão nos três primeiros lugares do ranking das capitais.


Último acidente ocorreu no dia 22 de maio. Único ocupante do avião, piloto conseguiu escapar com vida. (Foto: Eraldo Lopes)

São 101 acidentes aéreos registrados na capital amazonense nos últimos dez anos, uma média de dez ocorrência por ano. Em todo Estado, foram 218 acidentes aéreos no período. Ao todo, 77 acidentes tiveram vítimas fatais, de acordo com o levantamento.

O acidente do avião de pequeno porte da Amazonaves que pegou fogo, na manhã do último dia 22 de maio, em uma área de mata, na Avenida Torquato Tapajós, passou pela perícia do Cenipa e as causas ainda estão sendo investigadas. Apenas o piloto do avião, o coronel reformado da Aeronáutica Clóvis Martiny estava na aeronave e conseguiu sair com vida do local.

O relatório indicou que “a aeronave decolou para realizar um translado do aeródromo Eduardo Gomes (Eduardinho), para o Aeroclube e a aproximadamente 300 metros da pista 11 do aeródromo de Flores a aeronave colidiu contra o solo. Após a parada total a aeronave, pegou fogo e ficou destruída”, diz o documento.

Dos 218 acidentes registrados no Amazonas entre 2008 e este ano, 40% foram acidentes ou incidentes graves, conforme o Cenipa. Em 12 casos, a aeronave foi totalmente destruída e em outros 53 o avião teve perdas substâncias, como a do modelo da Amazonaves, segundo o levantamento.

O relatório preliminar do acidente que deixou três pessoas mortas um mês antes, no dia 22 de abril, no mesmo terreno de Flores, indicou a perda de controle em voo após a decolagem no Aeroclube de Flores. O Cenipa informou que o piloto reportou que havia pane em um equipamento e solicitou o retorno.

“Instantes depois fez novo contato informando que pousaria na cabeceira 29 de SWFN (Aeroclube), perdendo a comunicação logo em seguida. Observadores no Aeroclube do Amazonas reportaram à torre de Eduardo Gomes que a aeronave havia caído nas proximidades da cabeceira 11 de SWFN. Não houve fogo e a aeronave teve danos substanciais. Três ocupantes faleceram no local da ocorrência e outros dois foram encaminhados ao hospital ainda com vida, porém, um deles veio a óbito horas depois”, afirmou o órgão.

Acidentes no interior

Depois de Manaus com 101 ocorrências nos últimos dez anos, Coari (30) e Tefé (11) integram a lista das cidades do Estado com maior número de acidentes aéreos. O Amazonas é o 9º do País com maior número de desastres de avião, no mesmo período. O Estado vizinho, Pará, teve durante esta década 246 acidentes aéreos, ocupando o sétimo lugar entre as unidades da federação. Já São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais encabeçam os três primeiros lugares.

No Amazonas, 156 acidentes foram com aviões bimotores e 56 acidentes em aeronaves monomotoras.

Fatores operacionais causam 60% dos acidentes no Estado

De acordo com os dados do Cenipa, neste primeiro trimestre, foram seis acidentes em todo o Estado. No mesmo período do ano passado, quatro sinistros ocorreram no Amazonas.

Ainda de acordo com o Cenipa, a cada dez acidentes aéreos registrados no Estado, três ocorreram por falha humana e outros seis por fatores operacionais, 1% ainda levou em consideração fatores materiais. O Cenipa classifica entre os motivos do acidente, os que o órgão chama de ‘fatores contribuintes’. Nos últimos dez anos o julgamento de pilotagem, em que os pilotos precisam tomar decisões figura em primeiro lugar: 28 acidentes ocorreram por este tipo de erro.

A decisão da supervisão gerencial (20) e a manutenção do avião(19) fecharam os principais motivos que ajudaram no episódio que resultou em acidente, de acordo com o levantamento.
Das falhas humanas, o Cenipa ainda destacou a indisciplina no voo (12), o esquecimento do piloto (9) e a atitude e o processo decisório (24).

Momento do acidente

A fase do voo em que a maioria tem mais pânico em um avião é o do pouso e decolagem, mas no Amazonas a etapa do cruzeiro é o que mais registrou acidentes. O Cenipa apontou que 36 ocorreram durante o cruzeiro, 32 na decolagem e 30 na corrida após o pouso.

Nestes dez anos, o órgão emitiu 106 Recomendações de Segurança de Voo (RSV). O conjunto de ações se refere à uma circunstância específica, formulada com o objetivo de eliminar ou controlar determinada situação de risco para a segurança de passageiros e tripulantes.

Apesar de acidentes, Aeroclube afirma que o local é seguro

“Acidentes acontecem”, disse o superintendente do Aeroclube de Manaus, Hélio Acioli, sobre o pouso forçado do avião de pequeno porte da Amazonaves Taxi Aéreo que pegou fogo, na manhã do último dia 22, em uma área de mata, na Avenida Torquato Tapajós, zona centro-sul de Manaus, em que o coronel reformado da Aeronáutica Clóvis Martiny estava no comando da aeronave e conseguiu sair com vida do local.

O coronel saiu da aeronave andando, levando consigo sua bolsa com pertences pessoais, segundo informou a empresa Amazonaves. Martiny foi levado pela empresa até o Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, na zona centro-sul de Manaus.

No dia 22 de fevereiro, outra aeronave caiu no mesmo terreno, a poucos metros de onde o coronel Martiny precisou realizar o pouso forçado. No acidente ocorrido há três meses, quatro pessoas morreram. Acioli explicou que apesar de três audiências públicas terem sido realizadas para a retirada do aeroclube, as propostas de mudança para o município de Iranduba não foram efetivadas.

Segundo ele, ao longo dos anos o aeroclube deixou de ter uma proteção no em torno do local, com a ocupação urbana, mas a área continua sendo segura para pouso e decolagens.

De acordo com Acioli, no aeródromo o pouso e decolagem de cerca de 100 aeronaves ocorre com a autorização da torre de controle do Aeroporto Eduardo Gomes, o Eduardinho, somente no período da manhã e da tarde. O superintendente explicou que, após esse horário, os pilotos realizam o pouso no aeroporto e fazem o translado no dia seguinte para o aeroclube.

Foi o caso do acidente do último dia 22, conforme explicou o gerente de segurança operacional da Amazonaves, João Tavares dos Santos. A aeronave pousou em Manaus na noite anterior, após realizar um frete para um cliente até São Gabriel da Cachoeira. O nome do cliente e o material transportado não foram divulgados pela empresa.

Ao todo, 10 empresas utilizam a pista do Aeroclube em Manaus. A Amazonaves, segundo João Tavares, conta com seis aviões, incluindo o que sofreu o acidente.

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